quarta-feira, 6 de julho de 2022

Programa do Boca Braba - Causos de Assombração - O Dia Em Que o Povo de Porto Alegre Comeu Linguiça de Carne Humana


Nota policial da soltura de Catharina Palse no jornal A Federação. Fonte Wikipedia

Obras de João Simões  Lopes Neto

Contos Gauchescos

Lendas do Sul

O Dia Em Que o Povo de Porto Alegre Comeu Linguiça de Carne Humana

Pois diz que um tal de José Ramos era funcionário de um açougue na Rua Coronel Fernando Machado, nos fundos do Palácio Piratini em Porto Alegre, de propriedade do imigrante alemão Carlos Claussner - esse José Ramos era amasiado com uma Polaca chamada Catarina, na verdade ela era descendente de alemães e nasceu na parte húngara da Transilvânia, terra do Conde Drácula...
O açougue do Claussner vendia uma linguiça loca de especial, muito apreciada no povoeiro.
Acontece que Carlos Claussner, sumiu de repente, se escafedeu, e perguntado sobre o paradeiro do patrão, José Ramos disse que este havia lhe vendido o açougue e se transferido pro Uruguai.
Mas, já haviam relatos de desaparecimentos na região, principalmente de caixeiros viajantes, e um destes fora visto pela última vez justamente no açougue que servia também de residência de Claussner e do casal José e Catarina. Este caixeiro possuía um cusco que foi visto durante dias latindo na porta do açougue até desaparecer também.
Tudo isso levou a polícia a investigar o local, e não é que descobriram os restos mortais não só do caixeiro desaparecido como de outros e inclusive do próprio Claussener, que era cúmplice - afinal suas linguiças faziam muito sucesso. Ele foi morto por ameaçar denunciar o casal.
A polícia apurou que Catarina seduzia os viajantes que eram conduzidos à casa, onde Claussner e José os matavam, desossavam e parte da carne virava ingrediente das famosas linguiças.
Este caso teve seu desfecho no ano de 1864 e ficou conhecido como O Crime da Rua do Arvoredo, que era o nome da rua Fernando Machado na época. Apesar da tentativa óbvia de abafar um crime tão hediondo, e esconder o canibalismo, mesmo involuntário, o caso teve grande repercussão e ficou documentado na imprensa da época.

 

 
Detalhe do Relatório do Presidente da Província do Rio Grande do Sul do ano de 1864. 
Fonte: Wikipedia

Um fato muito curioso é a semelhança deste caso com outro ocorrido na França no ano de 1387 onde um cusco também ajudou a denunciar o caso.

Lá o criminoso era um barbeiro que aproveitava a grande frequência de turistas, pois o local ficava próximo da Catedral de Notre Damme, para assassinar os clientes e, por um alçapão, joga-los num porão que se comunicava com uma padaria onde eram preparadas deliciosas tortinhas de carne servida aos cônegos e oficiais de Notre Damme.
Pois neste caso, quem denunciou o crime, como aconteceu na rua do arvoredo, foi um cachorrinho de uma das vítimas, que ficou dias latindo em frente a barbearia, aguardando seu dono que fora assassinado.

Aqui o link para o post sobre o assunto do Blog 30joursaparis.com.br

A Lenda do Gritador

Agradecimentos à Prefeitura de Santa Cecília/SC https://www.santacecilia.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/25526

Conta à lenda, que um jovem muito maldoso que gostava de judiar dos animais tinha um cavalo, no qual andava o dia inteiro, em disparada. Não o tratava como devia, nem ao menos lhe dava água. A noite deixava o pobre animal preso com uma corda curta, impedindo-o de escapar. Sua mãe vendo o animal ser surrado e maltratado, o que em pouco tempo o levaria a morte, esperou que seu filho dormisse e foi cuidar do cavalo. Após dar comida e água soltou a corda, permitindo dessa forma sua fuga.

No outro dia, quando o jovem acordou, procurou o animal, não o encontrando, ao descobrir o que havia ocorrido, amarrou sua mãe, encilhou-a e montou, esporeando-a de tal forma que a fez chorar de dor. A mãe rogou uma praga ao filho: ele haveria de gritar de dor, mesmo após a morte. Na noite em que o homem morreu, todos os moradores dos arredores ouviram gritos vindos dos abismos, alguns dizem que seus gritos ecoam até hoje no alto da Serra do Espigão.

O Gritador - Curta-metragem com direção e roteiro de Carlos Porto e Ulisses Costa.  Produção de Chaiane Bitelo e Jackson Ritte

Gracias ao canal Carlos Porto

"O Gritador" conta a história de três jovens que se perdem ao acampar nos Aparados da Serra, RS, entrando em contato com o Gritador, uma lendária assombração da região.

Este curta foi produzido pela Grande Angular Produções, em associação com TV Unisinos e em parceria com empresas e entidades do Vale do Sinos e dos Campos de Cima da Serra.

Por não contar com recursos de leis de incentivo, a realização demorou 2 anos e 8 meses da pré-produção à finalização.

As externas foram rodadas em São José dos Ausentes, no ponto mais alto do RS. Mais de 3 mil km foram percorridos até se encontrar as locações ideais. Já as cenas da lenda foram todas captadas em estúdio, contra um fundo azul, para posterior inserção de desenhos feitos à mão e computação gráfica. Oito músicos se envolveram na trilha sonora original -- incluindo o gaiteiro Renato Borghetti e o percussionista Fernando do Ó.

A composição junta música folclórica gaúcha com instrumentos tradicionais.

A lenda do Gritador é parte da cultura do estado, mas é pouco conhecida fora de sua região. Por isso, a Grande Angular também produziu, simultaneamente, um documentário, "Nos Campos do Gritador".

ELENCO:

Werner Schünemann: Alastor / Gritador

Leandro Lefa: Thomas

Juremir Neto: Andrei

Lindon Shimizu: Rafael

Maico Silveira: Calote

Fernando Brás: Mosquito

E apresentando Nydia Gutiérrez

EQUIPE: Direção e roteiro: Carlos Porto e Ulisses Costa Produção: Chaiane Bitelo e Jackson Ritter Fotografia e Montagem: André Conti Trilha Sonora: Chico Pereira Engenharia de Som: Roberto Coutinho Efeitos Especiais: Fábio Stabel e Carlos Porto Festivais: Cinefantasy (2008) - São Paulo, SP - Prêmio Incentivo Festival Guarnicê (2007) - São Luís, MA Mostra de Cinema (2007) - Ouro Preto, MG Exibições: RBS TV - Curtas Gaúchos (2008) TVE RS - TV Cine (2008 e 2009) TV Com (2008)

O Gritador - Música Sobre a Lenda - Especial Caça Fantasmas Brasil

Composição: Iuri Castelan -  Imagens: João Tocchetto | Iuri Castelan - Edição de Imagens: João Tocchetto - Canal Caça Fantasmas Brasil

terça-feira, 5 de julho de 2022

Programa do Boca Braba 22ª Tropeada - Linguajar Campeiro Parte II

 

Buenas Indiada! Estamos chegando para mais um Programa do Boca Braba, na Rádio Web Vento Norte de Cruz Alta, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Quero mandar um quebra-costela do tamanho do garrão do Brasil pra esta gauchada que está no costado do programa, agradecendo ao Patrão Eterno por me permitir estar aqui e pedindo a Ele que abençoe a todos nós.

O tema do programa de hoje é o Linguajar Campeiro - Parte 2.

Vamos falar um pouco mais sobre as peculiaridades do nosso idioma pampeano e decifrar alguns termos que só existem na nossa pátria gáucha.

Mas antes, como de costume, vamos ouvir o Hino Rio-Grandense e uma oração:

Programa do Boca Braba. A cultura gaúcha com opinião. Ouvimos o Hino Rio Grandense executado na guitarra elétrica pelo grupo Tchê Barbaridade, e depois, Omair Ribeiro Trindade, de autoria de Dom Felipe de Nadal, Prece do Gaúcho.

No programa anterior falamos sobre as origens do nosso linguajar campeiro.
E, como o assunto é extenso, vamos continuar no mesmo tema, hoje explicando alguns termos e expressões que só existem por aqui.

Mas antes vamos ouvir algumas marcas.

Ouvimos, Jari Terres cantando, Coplas de um Índio Xucro, Letra de Rogério Ávila e Música de Leonel Gomes, depois, Luiz Marenco e José Cláudio Machado, de autoria deste, Dobrando os Pelegos, e a última, Mano Lima, Essência Campeira.

Para que tu tenhas uma noção da complexidade do linguajar campejano, só na primeira estrofe da música Coplas de um Índio Xucro, que ouvimos à pouco, temos cerca de vinte expressões regionais que vamos traduzir agora:

A maioria das traduções foram tiradas do Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense. Publicado por Aldyr Garcia Schlee

Então se bamo:

- MILONGA é uma Espécie de
música crioula de origem platina, cantada (em versos de oito sílabas) ao som de viola e que, assim como o pericón e a meia-canha foi adotada e adaptada ao gosto dos campeiros sul-rio-grandenses. A aceitação e a difusão da milonga, no Rio
Grande do Sul, contudo, é muito recente, como fenômeno de integração cultural do início do séc. XX. Milonga em sentido figurado pode significar feitiço ou bruxaria, e no plural, milongas pode significar mexericos ou intrigas.
- o MATE é a Bebida tradicional do habitante dos pampas, feita
com uma infusão de folhas trituradas de erva-mate. Também chamado de Chimarrão, Mate amargo, ou simplesmente, Amargo.
-POTRO é o Bagual, redomão, isto é, ainda não domado. Ou o Cavalo castrado, mas ainda não domado ou por domar.
- LOMBO é o Dorso de uma pessoa ou de um animal mamífero de criação doméstica. Pode ser também o Topo arredondado das coxilhas ou a Porção de carne localizada na região
lombar dos animais.
- XUCRO - Diz-se de animal arisco, esquivo, indócil e bravio como se fosse
selvagem. Figurativamente, diz-se de indivíduo insociável, de trato difícil.
- APARTE é a Ação ou efeito de apartar, ou separar, o gado.
- RODEIO é o Lugar do campo onde o gado, cavalo ou ovelha são reunidos. Tradicionalmente, dá-se nome de Rodeio ao Ajuntamento de gado, em campo aberto, feito para apartar, contar, examinar, marcar e tratar os animais. Temos também o termo Parar Rodeio, que é o mesmo que aparte de rodeio.

- FLOREIO (BRAS) S.m.- Ato ou efeito de florear, ou florear-se, que significa Brilhar, exceder-se na qualidade de uma apresentação ou demonstração de habilidade, no caso, floreio de cordiona.
- Cordiona ou CORDEONA é uma espécie de gaita de fole que possui caixa geralmente hexagonal, com
teclado de botões, e que teve ampla difusão em toda a campanha do Rio Grande do Sul, a partir da segunda metade do séc. XIX
- Abrir o peito significa cantar;
- Pataleio. Ato de patalear, isto é, bater com as patas.
- ÉGUA é a Fêmea dos animais equinos, em sentido figurado, significa a mulher grosseira, estúpida ou agressiva.
- VÁRZEA. Campo alagadiço, sem muita vegetação arbórea, próprio para a plantação de arroz. Pode ser também, Terreno baixo e plano, às margens de rios ou arroios.
- BRASINO. - Animal de pelagem escura com algumas manchas transversais ainda mais escuras. Como vimos na 8ª Tropeada, quando falamos sobre cavalos, o pelo do animal se torna o seu próprio nome. Então podemos dizer cavalo de pelo brasino ou simplesmente, Brasino.

- CAMPO A FORA:
CAMPO é a Extensão de terreno geralmente plano e dominado por pastagens ou o nome dado à Propriedade rural.
- Campo a fora significa afastar-se, fugir. Então um brasino campo a fora, significa o cavalo que fugiu e o gaúcho precisa armar o laço para trazê-lo de volta.
- ARMAR O LAÇO:
- Laço é uma correia de couro trançado com quatro ou mais tentos de couro, que o homem do campo fabrica e usa para laçar e pealar animais. Tem mais de vinte passos de comprimento, com largura de um dedo mindinho de um lado e mais grossa na parte final. Numa ponta, a mais fina, possui uma presilha que se prende à cincha do cavalo de quem o utiliza, na outra ponta há uma argola que permite formar-se uma laçada corrediça -  a armada -  a ser lançada sobre o alvo desejado, e através
da qual se chega a enlaçar. Constituiu, e segue sendo ainda uma excelente ferramenta de trabalho nas lides campeiras. Mas Laço também pode significar o nó corrediço facilmente desatável, usado para
amarrar calçados, gravatas e lenços; a linha de chegada, nas corridas campeiras; e Sova, castigo, punição ou surra.
No caso armar o laço significa preparar o laço para prender determinado animal.

Tu viste que, ao tentar explicar alguns termos, eu usei outros que são particulares do nosso dialeto. Se eu tentar traduzir estes, vamos ficar proseando vários dias e não abordaremos todos. Eu sugiro que o amigo e a amiga que tem interesse em conhecer mais do nosso linguajar de uma olhada no dicionário do saudoso Aldyr Garcia.
Tú podes encontrar o Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense em dicionariopampeano.com.br

Ouvimos, Erlon Péricles, de autoria deste e de Tuni Brum, Mais Gaúcho e antes, Mauro Moraes, de sua autoria, Cabanha Toro Passo.