quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sentado Sobre um Arreio

Sentado Sobre Um Arreio Porca Véia
Composição: J. Guedes/j.sampaio/quide Grande

Não monto em cavalo manso
Nem que me custe um rodeio
Gosto do lombo do potro
Por causa do sarandeio
O maula embaixo do basto

Nunca me causou surpresa
Me representa que eu ando
Por cima da correnteza
Depois do primeiro pulo
Nem que a coisa fique preta

Dou com a mala e cravo a espora
Bem na volta da paleta.

Matungo que corcoveia
Se eu não amansar desmancho
Ensino a pegar a estrada
Me carregando pro rancho

Eu nunca encontrei pergunta
Que eu não achasse resposta
Se não dá p'ra ir de frente
Saio surrando de costa
Acho bem lindo um clinudo

Quando vem se manoteando
Só p'ra ver o lombo dele
Sobre o ar me abaralhando
Um potro escondendo a cara
É brabo de se entender

É madeira que não lasca
É pedra dura de roer
Matungo que corcoveia
Se eu não amansar desmancho
Ensino a pegar a estrada
Me carregando pro rancho.

E quando eu não puder mais
Montar em qualquer ladino
Eu quero ficar na terra
Prá rosetear meu destino
Pois quando eu deixar da lida
Me apeando junto a um rodeio
Talvez me sobre o buçal
O mango, o laço e o freio

E se um dia este Rio-Grande
Quiser atorar no meio
Vão dizer sobrou um gaúcho
Sentado sobre um arreio.
Matungo que corcoveia
Se não amansar desmancho
Ensino a pegar a estrada
Me carregando pro rancho


http://www.vagalume.com.br/gaucho-da-fronteira/sentado-sobre-um-arreio.html#ixzz0zgNmPqgi

No Garrão de um Milonguear

Programa do Boca Braba 16-09-2010


No Garrão De Um Milonguear Lisandro Amaral
Um canto livre de torear a madrugada
Me achou de espora calçada
No garrão de um milonguear
A despertar sobre o lombo da coxilha
Um retouço de tropilha com braseiros
No olhar...

Lua imponente, china linda, andou ausente
Veio vestir de crescente
Meus costumes galponeiros
Me fiz inteiro canto largo de querência
E afoguei todas ausências que
Habitavam meu sombreiro


Venho templando as choronas,
Sovando carona – nalgum redomão
E esta milonga gateada:
Redomoneei nas estradas
Sovando gaita e violão

Por ser mais livre que a tormenta que
Se expande
Tenho a estampa do Rio Grande
Das peleias ancestrais
E me fiz terra quando os clarins
Ressoaram
E os centauros encilharam na defesa de ideais

Por isso canto a torear a madrugada
Sempre de espora calçada
No garrão de um milonguear
A despertar sobre o lombo da coxilha
Minha pátria farroupilha que algum dia há de voltar...


http://www.vagalume.com.br/lisandro-amaral/no-garrao-de-um-milonguear.html#ixzz0zgLIkmfa